Fúnebre

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Diários sobre o nada.



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Quarta-feira, Março 25, 2009
Desencontro



Uma das coisas mais frustrantes do mundo é o desencontro, é a impossibilidade do enlace,
é a frustração de não ter suas expectativas correspondidas por alguém ou por alguma coisa que
você acreditava ser realmente possível. Muitos podem justificar tudo isso com discursos
neo-religiosos, pseudo-científicos, de ordem física e conspirações da natureza.
Cada coisa ou pessoa no mundo tem um relógio, que vai se encaixando em outros relógios,
e só porque deus deve ser muito romântico, o encaixe só funciona num milésimo de segundo
bastante específico em que há um encontro. Não tem jeito, as coisas são frustrantes.
Eu não mais escrevo para você, porque eu sei que você não precisa de mim. Escrevo apenas
para lembrar-me de hoje, para ter a certeza de que existo. Eu não quero uma audiência de mentira,
porque só me interessa o que eu posso ter (o meu lado sensato crê nisso). E pensando assim,
eu poderia transformar toda a minha vida em um livro e te entregar em mãos. Mas novamente,
você não precisa de mim. O que me interessa saber é: do que você precisa? E no máximo, você
poderia achar que tudo isto é muito romântico, mas é um engano! Não existe nada de romântico
aqui. Aqui só existe frustração. O romantismo é o simples fato de eu estar aqui escrevendo isto,
porque o que me trouxe aqui foi o desencontro, e nada mais. Não há nobreza em ser triste ou em
estar só. Trata-se da prova de que Deus é um sujeito muito estranho.
E quanto a mim, vou esperar pelo próximo desencontro das águas, por aquele segundo
em que eu olhei pro lado e você passou sem ser vista, pelo milésimo de segundo da minha
vida que dificilmente vai encontrar a sua. E claro, quanta tolice! Até parece que você está
interessada em toda esta bobagem, certo?


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Sábado, Agosto 02, 2008
A escravidão da alma



Eu estou saindo da zona de conforto. Saio dela porque dentro dela me sinto pequeno. Existem
limites claros, físicos, imaginários, religiosos, culturais, limites estes que me tiram o direito
sagrado de ter um pouco de paz. Nós crescemos tendo como referências as pessoas que nos
criaram, o jeito como elas lidam com os problemas, como se relacionam e em alguns casos, como
não conseguem em hipótese alguma encontrar o equilíbrio necessário para viver. E aí nós vamos
achando que poderemos repetir os acertos e simplesmente ignorar os erros, como se estivéssemos
escolhendo sabores de sorvete ou estilos de roupa. Na zona de conforto você se torna um imbecil,
ou pelo menos passa a se sentir assim. O mundo está cheio de gente morrendo, e você está em
algum canto fumando maconha ou assistindo o último filme do Batman, feliz porque ao menos pode
estar ali e pensando nas pessoas no mundo que passam fome. Irônico este pensamento, não?
A vida medíocre que levamos me dá vontade de morrer. Não querer compactuar com a maneira
animalesca e carnal com a qual nós vivemos em sociedade. Tudo é motivo para matar ou para trepar.
Existem outros objetivos? Sim. Mas estes são imbatíveis. Nós damos o mesmo valor para as coisas
da vida que as pessoas davam ha 500 anos, ou seja, nada. É proibido ter alma porque isto implica
em ser diferente, em ser quem se quer ou quem se pode ser. Implica na não aceitação de si mesmo
porque o mundo te ensinou a não se aceitar fora de determinados parâmetros, te ensinou a julgar-se
"inapto" para a vida.
De certo que com o passar do tempo, o corpo vai perdendo a força e não podemos impedir que
os medos comecem a nos fazer pensar que talvez não possamos viver muito tempo mais acreditando
nas mesmas bobagens de adolescentes. Por mais que hoje se viva muito mais do que antigamente,
isto não anula o fato de que nós vivemos e aprendemos certas coisas sobre nós mesmos que
simplesmente passa a não importar se você vai viver até os 100 anos ou vai morrer atropelado aos
30, você precisa admitir que mudou! Eu mudei e estou com medo de mim mesmo. Sinto que daqui
a algum tempo já nem serei mais necessário nesse círculo de pessoas que se dizem jovens. E quando
olho pros lados, só vejo pessoas preocupadas com carros, sexo, bijuterias e bugingangas para
a obtenção de prazeres temporários. Isso é o que alimenta a vida hoje. E este não é um discurso
demagogo. Maldito seja o sexo, maldito sejam os carros, os apartamentos com vista pro mar!
As pessoas andam por aí, se cruzam, e nunca mais se veêm. Tudo passa voando diante dos olhos
e quando você se dá conta, já acabou. A alma está escravizada. Pelo sexo, pelo dinheiro, carros,
posições sociais e obsessões dos mais variados tipos. Nós somos seres impossíveis de serem
satisfeitos. Estamos num círculo vicioso. Mal podemos controlar nossos hormônios e muito menos
os instintos mais primitivos. Eu estou realmente decepcionado com a existência. Preferia ser um
animal e não ter que pensar muito nas coisas. Simplesmente fazê-las. Ser humano é uma merda.


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Segunda-feira, Maio 19, 2008
Entrevista com Deus



Ele é a entidade mais conhecida do mundo, tanto quanto Bob Dylan, Pelé ou Madonna.
Dono de um currículo de causar inveja em seus adversários, ele se gaba de já ter visto de
tudo, de ter sido um dos idealizadores da terra, de ter criado mais de cem milhões de
espécies e diz nesta entrevista exclusiva que criou não apenas a terra, mas todo o
universo.
É claro que estamos falando de Deus, um velho conhecido da humanidade, que
nos concedeu um lugar em sua concorrida agenda para uma entrevista sobre
temas polêmicos como sua relação conturbada com o diabo e sua paixão por Rugbi.

E: Deus, como tudo teve início?

D: Bom, eu criei o homem. Então... é, foi isso.

E: E a sua carreira de sucesso, onde o senhor começou a ver que poderia ser quem
é hoje?

D: Eu estava em casa, uns 2.500 anos atrás, e comecei a perceber que os homens
daquela época, meio desordenadamente começaram a endeusar (Deus ri) entidades
e a fazerem uma certa conexão entre uma figura maior e as estrelas, o céu, o sol, etc.
Então eu percebi que era aquilo que eu tinha que fazer da minha vida, era ali que o
meu talento iria emergir.

E: E quem lhe ajudou a alcançar o sucesso?

D: Ah, muitas pessoas foram fundamentais, seria até maldade citar apenas algumas,
mas eu acho que aquele episódio do Jesus ter morrido e voltado, passando pela traição
do Judas, o profissionalismo dos apóstolos, foi tudo muito bacana da parte deles, quer
dizer, eles foram muito corretos com o trabalho deles, tanto que até hoje as pessoas
acreditam e lêem a bíblia porque eles encarnaram os personagens com muito carinho
e amor a arte, ao teatro. As pessoas até hoje me param na rua pra falar o quanto aquele
episódio foi importante pro desenvolvimento da fé delas, da estrutura familiar vigente no
mundo, pro bom andamento da vida, dos povos, e por aí vai.

E: O senhor mantém contato com o Papa?

D: Olha, o João Paulo II era um cara mais aberto, principalmente depois que levou
aquele tiro. No começo ele sempre me culpava por não ter feito nada pra protegê-lo
e tal, mas depois ele pediu desculpas e a gente ficou numa boa. Com o Ratzinger eu
ainda não parei pra trocar umas idéias, mas pra te ser sincero ando super sem tempo
porque esse lance de fazer turnê de desastres pelo mundo tem me tomado maior
tempão... Imagina você, em questão de 6 anos, já tive que mexer meus pauzinhos
pros atentados do WTC, pra guerra do Iraque, pros Tsunamis, pro Tufão de
Mianmar e agora mais recentemente pro terremoto da China. Quer dizer, as pessoas
não entendem que eu sou uma pessoa famosa, que eu tenho muitos benefícios, mas
poxa, eu trabalho muito né? Quer dizer, faz tempo que nem vou ao cinema, que
não vou pra balada, porque meu trabalho me deixa muito exausto.

E: O senhor não se envergonha de estar matando tanta gente ultimamente?

D: Envergonhar por quê? Quer dizer, eu que criei essa p... toda... Quanta gente já
passou aqui pela terra nos últimos 50.000 anos só pra início de conversa? Então
se você pega proporcionalmente isso e compara com o número de pessoas que
morreram em eventos da natureza ou guerras, eu tô preservando a maior parte das
pessoas por aqui. O fato de as tragédias estarem acontecendo é porque eu tenho
um nome a zelar, e a terra não pode ficar paradona não, quer dizer, ela precisa
estar em movimento. E quem faz essa manutenção? Você? Seu chefe? Não, quem
faz sou eu! Se você fosse um repórter responsável, teria feito uma pesquisa,
apurado antes de sair perguntando merda pra mim.

E: O senhor tem lido ultimamente? Poderia nos indicar um bom livro pra leitura?

D: Bom, não tenho tido muito tempo não, mas recomendo os 3 volumes da bíblia
porque como estou diretamente envolvido, acho legal ter esse espaço aqui pra
poder divulgar o meu trabalho.

E: A bíblia não tem 3 volumes Deus...

D: Não? (silêncio constrangedor do nosso entrevistado) Putz, eu devo estar
confundindo com alguma outra coisa porque...

E: Deus, você já leu a bíblia?

D: Eu? Bom, olha, quer dizer, olha... Isso é uma coisa pessoal e eu prefiro não
responder nesse momento, ok? Próxima pergunta.

E: Como foi a sua relação com o diabo ao longo da história? Foi muito difícil
chegar a um acordo sobre as questões que o senhor e o demo reivindicavam?

D: Olha, o Diabo é um cara que tem talento e eu respeito isso. Ele fez por
merecer tudo o que conquistou até hoje. Mas se você parar e olhar o meu
trabalho em comparação com o dele, vai ver que porra, eu tô muito a frente
em relação as criações, ao estilo, etc.

E: O Diabo se vangloria de ser mais ousado que o senhor em termos de criações...

D: Ele se vangloria de muitas coisas, mas quem é que é a estrela? Eu. E tem outra
coisa... Apesar de eu considerar que ele está um nível abaixo de mim, eu acho que
o mercado está aí pra mim, pra ele, pra Maomé, pra Buda, Alllah, enfim, todo mundo
tem condições de ter o seu espaço e seguir ganhando a vida. Não tem esse negócio
de ficarem tentando me colocar contra o Diabo por causa de besteira não. Eu
tenho uma carreira bem construída, tanto que ninguém anda queimando a bíblia, mas
sim o Alcorão por exemplo. Quer dizer, você vê que eu sou uma entidade realmente
respeitada.

E: E o Rugbi Deus? Como começou essa paixão?

D: Ah, o Rugbi é um capítulo a parte na minha vida. O primeiro jogo que eu vi foi
aquele clássico inesquecível de 1944 entre Tonga e Samoa, daí eu me dei conta
que o esporte era um bocado violento, sanguinolento... enfim... sanguinolento tá
certo? Já até esqueci (risos). E aí você pára e vê que o Rugbi oferece uma
guerra em miniatura, que você não chega a correr o risco de tomar tiro, faca, tapa
na cara, soco no coração, etc. No Rugbi você só fica vendo os cara se detonando
e come um cachorro-quente enquanto o jogo come solto. Você vê, isso foi em
1944, ou seja, naquela época vocês tavam ai começando a segunda guerra
mundial e eu tava vendo Rugbi entre Tonga e Samoa. Por isso que eu falo,
eu sempre estive a frente do meu tempo. Hoje você pára e vê que o Rugbi
tá ficando muito popular no mundo todo, mais até que o futebol. Aliás, futebol é
uma p... que eu não entendo. Não acho a menor graça. Isso era uma bosta de
jogo que se fazia na China antiga em que os caras jogavam com a cabeça dos
seus adversários e um belo dia algum ingles idiota achou que seria um bom
esporte. Aí o cara patenteou e fica tirando onda pro resto da vida. Mas não
tem nada não, esse safado eu tirei da terra bem novo, esmagado por um
elefante bem no dia do casamento dele.

E: Pra terminar Deus, você se considera um homem feliz?

D: Feliz é um conceito muito relativo. Eu sou imortal, faço o que quero, sou
amigo de quem eu gosto, não presto contas a ninguém, viajo pra onde quero,
na hora que quero, enfim, eu me considero um cara de sorte. É lógico que as
vezes é um tédio, mas pra ter o cacife que eu tenho, não é pra qualquer um não.

E: Deus, você poderia mandar um recado para os Brasileiros que estão lendo
esta sua entrevista?

D: Claro.Me gustaria mandar um beso para todos os Brasileños que estan en
mi querida Buenos Aires. Ustedes son un puevo muito gente buena. Só peço que
paren de hacer guerra na fronteira com Sri-Lanka porque eu não sou o idealizador
dessa guerra não. Quem falar en mi nombre está sendo un salafrário. Mios
adevogadios van entrar com un processo por danos morales esta semana contra
as personas que usan meu nome em vão.

E: Obrigado Deus.

D: A saída é por ali...


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Quinta-feira, Outubro 11, 2007
Teoria da viagem ao tempo futuro
pela projeção mental imediata
Uma breve introdução



A idéia dos buracos negros, estrelas, civilizações avançadas, todas as possibilidades
que excitam o homem não passam de meras especulações fundamentadas em ciência
não comprovada empiricamente, ciência que explica a natureza, explica o passado,
como nascemos, como surgimos e em que direção seguimos, mas em momento algum
explicam como seria possível viajar ao futuro e muito menos ao passado em busca
de coisas que nem mesmo somos capazes de precisar a causa que nos leva a elas. É
tudo fajuto, é ilusório, é o conto de fadas do delírio do homem moderno, é o coelho na
cartola de quem pensa que o mundo é muito maior do que ele realmente é. O mundo é
pequeno, é como uma loja ruim no meio do universo em que ninguém jamais vai entrar
porque existem outras muito melhores. O mesmo homem que endeuza a lua e Marte,
comprovadamente "mortas", simplesmente porque ele pode ir até lá as custas de outros
homens, enquanto a terra aqui morre, mesmo estando tão viva.

A viagem ao futuro é possível e basicamente filosófica. O que é, já foi. Isto já não é mais
isto neste momento. E este momento jamais existiu porque ele é apenas uma sensação,
ele é uma ponte entre o que foi e o que se crê que virá. O presente explicita o que se
espera do futuro. O futuro não existe. O futuro é um conceito inventado para explicar a
"sensação". Só. Logo, o passado é um conjunto de sensações que ganham significação
na mente como uma unidade de tempo, e de fato houve uma unidade, um segundo, um
milésimo, como gostamos de medir,em nossa ignorância humana. Divida o milésimo pelo
infinito e logo terá a resposta. O tempo não existe. É infinito, tanto atrás, quanto para a
frente. Quando um indivíduo pensa no que lhe poderá ocorrer dali a 3 dias, ele já está no
futuro sem que se aperceba disto. O homem é aquilo que pensa pois só o que tem
significação na mente é real. Isto se aplica aos considerados sãos e também aos doentes.

Um homem que pensa que será despedido de seu emprego já está no futuro, já está
demitido. Os caminhos são infinitos e a todo momento se está no futuro, basta que o
indivíduo aceite isto. Um drogado em estado totalmente alterado pode viajar de forma
mais contundente, drogas possivelmente potencializam isto. Em contrapartida, os bloqueios
impostos pelas culturas, religiões e governos impede que o homem comum entenda que
tem a liberdade de viajar ao futuro quando quiser, se prendendo a uma reelaboração
constante da "sensação" citada anteriormente e dando a isto o nome de "presente" ou
"passado". Quando o homem se liberta dos condicionamentos comportamentais e se
permite ir além do que ele julga serem seus valores, ele está em uma viagem que pode
levá-lo a muitos lugares, pois a medida que o pensamento se processa de forma veloz,
mais viagens são feitas, mais experiências são vivida e levadas diretamente a consciência.

Até que ponto um homem que perdeu sua mulher e filho num acidente e que desenvolve
um delírio, uma alucinação em que não aceita esta perda, está realmente "doente"? Ele está
aproveitando a viagem, reparando o que lhe foi tomado. Quando ele entender que os perdeu,
poderá lembrar, fechar os olhos e sentir, sonhar, e o sonho como meio mais eficiente de viver
aquilo que se quer viver. E este homem um dia irá pensar no futuro e se ver sozinho. O pobre
homem já está sozinho. O futuro já aconteceu. Alguém poderá se questionar: então se o futuro
já aconteceu, ele é o passado? Não exatamente. Pois como foi dito antes, não existe unidade
de tempo mensurável para a existência. Somos eternos enquanto somos velozes. O "futuro"
que já aconteceu como projeção mental do "presente" é apenas "sensação", pois se o presente
já é passado, teoricamente a projeção é no passado, mas também não o é. A palavra é e
sempre será "sensação". Passado, presente e futuro são "sensação", uma única coisa.

E se dividíssemos a "sensação" pelo infinito?

Me tomo de um sentimento estranho, rio um pouco disso tudo, sei que sou bem menor
do que qualquer coisa que jamais poderei medir e penso que nem mesmo o "jamais"
existe. Sou apenas o que sinto ao ter digitado cada letra, sou a próxima letra porque
sempre fui a próxima letra. Sou o que nem mesmo sei que sou. Faço um curto exercício:
fecho os olhos e penso em quem sou eu daqui a 30 anos. Vejo um corpo envelhecido,
olheiras cada vez maiores, cabelos grisalhos, um sorriso, alguém próximo de mim, filhos,
amigos, pessoas "sentindo", pessoas "existindo" a minha volta. Este homem que vi, sou
eu hoje.

A vida está no infinito concatenar da cabeça deste homem de hoje, a vida é o que se
pensa. Sou aquilo que acabou de passar pelo meu pensamento alguns milésimos
divididos pelo infinito atrás. Sou a sensação que jamais será mensurada. "Sou" a
sensação que "jamais" "será" mensurada.


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Segunda-feira, Janeiro 15, 2007
A terra come pessoas.



A terra é má. Eu tenho medo da terra. Ela come pessoas, carros e ônibus. A terra come velhinhas aposentadas, advogados e cobradores. A terra é sagrada. A terra dá os recursos naturais pra humanidade caminhar, a terra pode ser marrom escura, marrom clara ou bege. Ela é seca mas as vezes também pode ser molhada. E quando isso acontece é porque as coisas começam a nascer nela. A terra é muito leve, mas quando você junta muitas toneladas de terra, ela fica pesada. Não é fascinante?

Eu tenho medo da terra. Tenho mais medo ainda quando a terra é de São Paulo. Curandeiros Africanos, macumbeiros e entidades religiosas excêntricas vão dizer que a terra tem sede de sangue e talvez seja verdade.

Os homens evoluem tanto, querem isso a qualquer preço e a terra não gosta quando isso acontece. Daí a terra suga pessoas e veículos. Pra mostrar a grandiosidade dela, pra mostrar ao homem que ele é farelo e desmancha sempre. Alguns homens vão acreditar que fazer poesia e filosofia barata de botequim lhes concede algum benefício mas isso não é verdade.

Afinal, existe algo mais patético do que o homem se julgando superior a terra e depois evaporando sob a força dos grãos que viajam de um lado pro outro sem direção, sem escolhas? O homem não é nada, é fraco, sujo, ganancioso e vazio. E de quebra costuma ser sugado pela terra. E essa é única verdade sobre a existência. Esqueçam Deus, Buda, Alah, Cientologia e macumba. Não há magia negra que possa lutar contra a terra. Nenhum Tom Cruise é melhor do que a natureza.

O homem é patético. E ele continua sendo sugado pela terra.

AHAHAHAHAHAHA


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Terça-feira, Janeiro 09, 2007
A new idiom



It's december, I don't know why I'm here. Let's unify all our forces looking for another day, another strategies and strawberries. We can start everything from nothing. First, buy yourself a cannon light and point to the sky to make God blind. Then, you cut the wire between you and your friends, turn off the lights, steal the psychiatric medicin from the hospital and from your parents. Go to the anti-nuclear basement, cook some pasta, don't try the meat, try the beans, put an old cassete, listen some bad music, write about aliens, shave your pubic hair, burn photographs, kill some ants, rehearse for the judgement day, don't blasfemy for nothing and enjoy the next day of the rest of everybody's life.

I don't really think it's December. Was I sleeping?

Let's communicate in Morse Code. ok?

.. . .. ... . . . . ... . . . . .. .. .. . . ... .


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Sexta-feira, Dezembro 15, 2006
Um pouco menos estúpido



Querido blog que ninguém lê, hoje vim desabafar sobre o cinema. Sabe, eu sempre era um cara que ficava por último em relação aos filmes que concorrem ao oscar ou são indicados aos melhores do ano. Sempre acabava assistindo-os após o Oscar, ou seja, era apenas uma vítima ignorante e escrota dos marqueteiros de hollywood. Mas agora tudo mudou! Quer dizer, uns 30% mudaram! Por quê? Bem, porque li os indicados do G1 a melhores filmes e percebi que não sou tão idiota assim. Percebi que apesar de não ter dinheiro pra ir ao cinema, eu vi muitos filmes legais, graças aos colegas americanos que ripam os lançamentos em DVD e colocam na internet pros amigos do terceiro mundo poderem se tornar mais cultos.

http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,AA1388908-7086,00.html

É aquele velho negócio: nunca acredite em crítico de cinema, mas eles nem sempre são burros ou pederastas, certo?

Então, aqui vão algumas dicas para quem eventualmente ler esse blog e gostar de cinema, não necessariamente nessa ordem.

"Pequena Miss Sunshine"
Olhem, tô pra ver um filme tão simples e perfeito quanto esse. Aliás, lembro-me bem do último que me fez sentir assim. Foi "Priscila, rainha do deserto". Talvez o lance de ser um road movie, mas de qualquer forma ver Steve Carrel fazer um deprimido suicida gay é uma oportunidade única de ver o quanto esse ator é genial. Alan Arkin como velho viciado, tarado, perturbado e fútil é impagável, até porque ele nunca foi um ator de destaque. E o que dizer da Miss Sunshine? Que coisinha mais linda, que atuação bonitinha... E o final do filme poderia ser a coisa mais piegas e forçada, mas não é. E isso faz desse filme talvez o melhor do ano.

"Babel"
Nem sabia que estaria na lista dos melhores de 2006, muito menos que despontaria como favorito ao Oscar como andam falando, mas vi sem maiores pretensões. Fatp é que Brad Pitt manda muito bem, Cate Blanchet está divina como sempre, o que chega a ser irritante e o Irriñatu prova que só sabe fazer filmes com essa fórmula de "várias estórias entrelaçadas e bla bla bla", mas devo reconhecer que ele é bom nisso.

"Os Infiltrados"
Scorcese é foda. Foda. Podem criticar o quanto quiserem, foda-se. O cara é "o" cara. O filme é belíssimo. Pra variar, Scorcese brinca de edição e seus planos são insuperáveis. Ninguém consegue ser tão bom diretor quanto esse cara.

Agora falta assistir "Volver" do pederasta Almodovar, 'Borat", que acredito que vou amar, "O Labirinto do Fauno" que deve ser o filme em espanhol mais estranho e mais bacana do mundo, "A última noite" que me disseram que a Meryl Streep dá show e "Vôo 93", que eu jamais poderia imaginar que seria um bom filme.

Ou seja, vi alguns filmes e faltam muitos outros, mas estou me "designorantizando" aos poucos.

Obrigado internet. Sem você, eu estaria refém das redes Multiplex que assaltam cinéfilos desempregados do terceiro mundo.


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Terça-feira, Dezembro 12, 2006
Também não sei como abordar isso.



Eu não sou um grande adepto da pieguice. Essa é a primeira coisa que eu preciso dizer.
Eu tenho uma religião. É a segunda.
Eu sou um ser racional. Terceira.

Ontem, bandidos trancaram uma família inteira dentro de um carro e atearam fogo. Primeiro morreram os pais e um dos filhos. Depois morreu o filho de 5 anos que estava com 90% do corpo queimado. Agora resta uma funcionária da família, viva, com 80% de queimaduras. Ela reconheceu um dos suspeitos e ele foi preso. Uns dias atrás eu li uma matéria do jornal "O Globo" "denunciando" "milícias" que atuam em favelas do Rio de Janeiro, expulsando os traficantes e impondo uma nova ordem, onde são cobrados "impostos" dos comerciantes locais e as drogas são totalmente proibidas. E muitas pessoas questionam a legitimidade disso porque obviamente é algo que foge da lei, foge do controle do estado, mas afinal de contas, o que não foge do controle do estado Brasileiro? Um país com péssima distribuição de renda e tantas pessoas miseráveis. Quando os traficantes tomam favelas, executam moradores e vendem drogas, a imprensa "denuncia". E quando os moradores se unem pra fazer o que o estado não faz ela também "denuncia". Afinal, o que as organizações Globo tem contra o povo? Qual é o interesse em pressionar o estado a tratar a tal polícia mineira usando a péssima definição de "milícias"? Não é um direito do cidadão pobre se defender dos bandidos? Quando a família Marinho contrata 100 gorilas armados até os dentes pra defendê-los dos criminosos não tem problema mas quando um pobre tenta defender seus filhos e familiares, é bandido?

Pois bem, ontem queimaram uma família. Um crime dos mais brutais já vistos. Uma crueldade inacreditável. Tantos crimes parecidos podemos lembrar dos últimos anos e o que mudou? Vamos supor que os caras que queimaram a tal família tivessem sido pegos pela polícia mineira. O que aconteceria? Eles seriam executados, certo? Alguém ousa levantar a mão e se opor a isto? Algum demagogo de zona sul que solta pombinhas da paz na praia quer se opor? Alguém pretende defender os direitos humanos pra bandidos cruéis totalmente apodrecidos por dentro? Eu não. Não me meto e não sou contra. O que não significa que eu também seja a favor. Mas eu não sei aonde a minha razão iria parar se fiozessem isso com alguém que eu amo. Provavelmente eu iria gastar todos os centavos possíveis até ter certeza de que eu tive a minha vingança. E repito, eu tento não pensar nessas coisas todo santo dia. Mas não consigo. E agora, esses caras vão ser presos pelo estado, levados pra cela de alguma delegacia, vão receber um advogado do estado, pago com o nosso dinheiro, vão ser alimentados com o nosso dinheiro, esperar julgamento com o nosso dinheiro, ser condenados a 30 anos de prisão e soltos por bom comportamento em 7 anos e nada terá acontecido. E talvez depois desses 7 anos ele escolha aleatoriamente alguém pra meter uma bala na cabeça ou incendiar dentro de um carro sem a menor pena, seja criança ou velho. E eu espero que não seja eu ou você. E nem nossos filhos.

O estado não faz porra nenhuma. As leis são velhas e feitas por imbecis. Elas não protegem nenhum de nós e elas não farão justiça pelas pessoas de bem que são assassinadas todos os dias por esses animais que andam soltos por aí. E se engana quem pensa que eles são caras que moram em barracos de madeira. Muitos deles moram em bairros de periferia, mas nem tão mal assim, afinal eu já morei 15 anos da minha vida a 100 metros do morro. E eles escolheram isso como "profissão". Eles escolheram roubar, matar, assassinar e destruir tudo o que eles não tem. Quase não são humanos.

Você que está lendo isso, seria capaz de votar a favor da pena de morte pra esses caras se fosse feito um plebiscito igual ao das armas? Ou você iria ceder as pieguices cretinas das ONGS de zona sul que soltam pombinhas da paz na praia? Você seria capaz de assumir uma posição na sociedade, ou prefere continuar votando em políticos que você mal conhece só pra não ter que se dar ao trabalho de ter que tomar uma posição sobre esses assuntos "inconvenientes"? Resumindo: Você concorda em manter vivos esses caras que queimam famílias? Você acha justo pagar impostos com seu suor desgraçado pra eles serem alimentados e defendidos pelo estado depois? Não acha que seu dinheiro estaria sendo melhor utilizado se fosse voltado pra replantar árvores, levar água ao nordeste e criar novos recursos para o país crescer?

Até quando vamos ficar brincando de ser os católicos bonzinhos que deixam impunes os mais variados tipos de assassinos cruéis que moram nesse país? Vocês não são o que seus avós lhe disseram para ser. Vocês não são o que seus pais acreditaram que vocês deveriam ser. Vocês são apenas vocês. Mas lembrem-se: a mídia sempre vai tentar fazer vocês acreditarem no contrário e é por esse maldito motivo que nós somos um dos países mais atrasados socialmente mesmo sendo um povo com tanto potencial. Essa letargia desgraçada vai nos matar. E o pior de tudo: nós vamos merecer.

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,AA1383955-5605,00.html

Ah, antes que eu me esqueça, feliz natal.


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Segunda-feira, Dezembro 11, 2006
Eu não sei como abordar isso.



Hoje o Pinochet morreu. Que o diabo o carregue. O Pinochet foi bobo, feio e cara de banana amassada. Ele matou milhares de pessoas, torturou outras e ficou quase bilionário as custas do estado.

Eu estou pensando na vida, porque para eu nascer, foi necessário um pequeno processo de troca genética internacional entre a minha mãe e o meu pai. Ela, carioca, ele Chileno. Alguns tios meus foram perseguidos pela ditadura do Pinochet e tiveram suas cabeças a prêmio, mas o meu pai resolveu sair pela américa do sul curtindo a paisagem até chegar no Brasil e fazer filho aqui, no caso, eu. O que eu coloco é que eu não queria que o Pinochet tivesse feito o que ele fez, mas por outro lado, eu não estaria vivo e isso não seria conveniente. Algumas pessoas dizem que das piores coisas, podem surgir as maiores maravilhas, por conta de um processo de regeneração natural da espécie humana e blá blá blá blá blá. No meu caso eu não sei foi isso que aconteceu. Se eu inventar a cura pra aids, for a reencarnação de Cristo e ganhar um Nobel de qualquer coisa, talvez tenha valido a pena. Mas até lá, não teremos certeza. A única coisa que sabemos é que o passado vive dentro de cada um de nós porque sem ele nós não existiríamos. Se duvida, pode assistir "De volta para o futuro I, II e III " que eu garanto que você vai entender. Portanto, criticar Hitler, Pinochet, Mussolini e a Xuxa, é o mesmo que persistir na negação da própria condição humana num nível muito mais filosófico do que qualquer outra coisa do mundo. É auto-traição.

Assim sendo,

Obrigado Pinochet.


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Segunda-feira, Dezembro 04, 2006
...é preto, redondo e com
um furinho no meio...



Nostalgia? Nostalgia?

Nostalgia é o caralho!



É a história das nossas vidas.


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Sobre os aliens e as coisas que
eles nos ensinaram errado



Primeiro chegaram os aliens. E depois nós nos ajoelhamos, porque precisavamos agradecer a eles. Eram o modelo, eram a nossa salvação, o que nos manteria vivos. E nós pensamos: - será que Deus existe? Os aliens existiam. Os aliens acompanharam o nosso crescimento, viram nossos erros, puniram-nos, nos deram água e nos cobriram de beijos. E nós fomos muito felizes porque os aliens tinham o poder de manipular a verdade, de manipular o mundo, de criar novos mundos. E nós gostávamos disso. Se eles tivessem nos deixado expostos a realidade, coisas ruins teriam acontecido. E isso tudo foi lindo. Nós sabemos que fizemos as coisas mais bonitas quando os aliens estavam do nosso lado, todas as memórias em preto e branco, as mais lindas e perfeitas que poderíamos guardar.

O problema é que depois de um tempo os aliens quiseram seguir seu próprio caminho porque nós já não éramos coisas tão novas para eles. Eles tinham novos mundos a serem explorados e nós observávamos isso silenciosamente porque pela primeira vez nos questionamos se um dia viríamos a ser iguais a eles, e isso dava muito medo. O maior muro que pode ser colocado entre dois seres é o muro da decepção, e acreditem, os aliens também são gente. Os olhos, narizes e bocas estão em lugares diferentes dos nossos, mas também estão lá. Então os aliens foram embora e nós ficamos sozinhos. E só então começamos a olhar as pequenas coisas, as flores crescendo silenciosamente no alvorecer nas manhãs, o sol se pondo à medida que o mar avançava sobre a areia e passamos a nos questionar sobre estes pequenos milagres da terra que nos foi oferecida como espaço para crescer e plantar. E fazer crescer também.

E o tempo passou, nós fingimos que havíamos nos esquecido dos aliens mas na verdade eles estavam em cada célula do nosso corpo e em cada fotograma dos nossos sonhos. E da mesma maneira que as heras que crescem sobre os muros que separam as pessoas, nós percebemos que éramos heras crescendo em direção a existência alien e nos tornamos seres iguais a eles. Um pouco mais pensativos sobre nossa existência, mas idênticos em conflitos e medos. Na busca pela esperança e pelo cuidado de outros seres, de outros planetas. E pensamos que nossa obrigação era a de fazer a nossa parte, invadir outros planetas, salvar outras almas e sairmos da rotina que mata as pessoas, que amordaça os povos, que destrói culturas.

E quando percebemos, havíamos abandonado os aliens que tomamos para cuidar. E eles nos olharam silenciosamente, porque eles sabiam que nós havíamos mudado, que as circunstâncias nos haviam feito modificar nossos corpos e massa encefálica. E por um momento nós pensamos: - Será que eles estão se questionando sobre a possibilidade de virem a ser exatamente iguais a nós? Mas não havia mais tempo e nós precisávamos ir embora. Subimos em nossas naves e desaparecemos nos horizontes azuis, vermelhos e verdes dos outros planetas, regidos por outras estrelas e outros sóis. O universo é tão multicolorido, tão lindo, tão perfeito e nós demoramos tanto tempo pra perceber que tudo o que queríamos era ver o horizonte azul mais uma vez, simplesmente porque aquele era nosso e só nosso. E ele sempre seria preto e branco nas nossas memórias em super-8.

E nunca soubemos de fato o que aconteceu com os aliens que criamos e com os que nos criaram.


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Sábado, Dezembro 02, 2006
Notícias de economia - 02/12/2006



As ações do Vaticano obtiveram uma valorização de 14,30% na data de hoje, um dia depois do fim
da visita do Papa Bento XVI à Turquia, uma vez que as relações entre a igreja e o islamismo estavam
rachadas por comentários infelizes do papa em setembro deste ano, numa universidade alemã, criticando
abertamente a entrada da Turquia no bloco dos países europeus por ser uma nação composta em sua
maioria por mulçumanos.

Os analistas de Wall Street já esperavam por esses resultados positivos das ações preferenciais
do vaticano ( VAT PN3 ), uma vez que as visitas de Bento XVI a uma mesquita da Turquia, somada
a boa receptividade por parte da mídia Turca com o Papa, demonstravam um claro interesse da igreja
de se reconciliar com os mulçumanos para não perder aliados importantes em tempos de guerra.

Outro fator que segundo os analistas de Wall Street foi fundamental para a valorização as ações
VAT PN3 foi o acordo firmado entre a arquidioocese de Los Angeles com a promotoria pública para
o pagamento de aproximadamente 130 milhões de reais em indenizações a vítimas de abusos sexuais
e pedofilia por parte de padres católicos. Tal acordo, permite a partir de agora que o Vaticano
equacione suas dividas e consiga novos investimentos e crédito de grandes instituições financeiras.
O analista David W. L. Prietto da corretora L & L BROTHERS confirmou o otimismo de Wall Street:

- É, definitivamente estamos aguardando ansiosos por essa reestruturação financeira a médio/longo
prazo do Vaticano, abrindo possibilidades de economia que irá gerar investimentos consideráveis
no patrimônio da Igreja e estratégias de marketing mais arrojadas para o Papa Bento XVI, uma vez
que sua popularidade estava deixando a desejar em relação a seu antecessor João Paulo II. Estamos
apostando em um ano de 2007 muito positivo para as ações do Vaticano em Dow Johnes, com
uma valorização de 38% para dezembro de 2007.

Sendo assim, o Papa agora prepara sua visira ao Brasil, em Março, para fechar acordos de cooperação
com outra grande corporação, a Igreja Universal do Reino de Deus, que detém uma boa fatia do mercado
nacional religioso. Uma fusão não está descartada por ambas as partes, sendo necessárias novas
conversações em torno dos santos a serem aposentados pela igreja e os santos a serem aceitos pela
IURD. Uma fusão de ambas formaria a maior corporação mundial religiosa, que em tempos de concorrência
da China e Taiwan, seria muito bem vinda para o ocidente.


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Domingo, Novembro 19, 2006
Carta para um velho amigo



Todas as coisas passam. Não se se você lembra daquele dia em que me disse isso, quando nós paramos pra conversar sério pela primeira vez. Até então, você não poderia se comprometer a dizer algo sério sem avacalhar todo o resto, simplesmente porque não saberia manter a serenidade das coisas. E eu acreditei em você simplesmente porque você era meu amigo, e para ser sincero, se não o fosse, eu não teria dado a mínima para nada do que me disse. Claro, é um raciocínio hipócrita, mas ainda vai chegar o dia em que alguém vai provar que qualquer coisa, qualquer bem, crença, idéia ou sentimento pode durar para sempre.
Diante desses pensamentos que tem me artormentado a seu respeito, decidi te escrever esse desabafo, porque você, meu amigo, é o reflexo do mundo, é o reflexo de todas as coisas inexplicáveis vivas, é um retrato de todas aquelas pessoas que nós costumávamos conhecer muito bem e que se foram aos poucos, e eis que sobramos eu e você por essas bandas. E isso é muito saudosista, porque essas ruas eram nossas, e todos os rostos eram conhecidos. Naquela época nós sabíamos distinguir os olhares também. Haviam os que eram perdidos, outros ansiosos por conhecer tudo o que havia além dos nossos olhos, meus e teus, porque tudo o que nós enxergavamos era muito pouco. E quando eles decidiram largar tudo e ir embora aos poucos, eu me lembro dos teus olhos, sim, dos teus olhos cara, tão loucos de raiva e medo do abandono, olhando aquilo tudo, impotente, tentando entender o que estava acontecendo, como se você tivesse parado na droga do tempo enquanto os outros aceleraram seus ponteiros, alguns tão rapidamente, que se foram sabendo que jamais iriam voltar. Depois disso, algumas pessoas nos culpam, como se fossemos a causa, o sintoma e a doença, mas jamais a cura, jamais cura.
Eu tomo a liberdade de fazer essa breve introdução, porque as vezes me sinto tão vítima quanto você. Sinto que fomos abandonados de certa forma como crianças, as mesmas que um dia sonharam e conversaram com seres das estrelas. Ou como as crianças que um dia vão nos caçar pra tomar de nós aquilo que elas jamais poderiam ter. Eu te conheço bem meu amigo. Eu sei que você tem medo de tudo isso. E justo agora eles vem me dizer que você adoeceu e a primeira e mais importante coisa que eu me pergunto é como você pôde deixar que isso viesse a acontecer? Não te lembras que éramos os reis de todos os castelos que imaginamos? E quanto aos projetos de mudança? Vale mencionar cada centavo de vida que investimos por hoje? Afinal, nós sabíamos o que nos esperava no fim da estrada, certo? E continuo sem acreditar que você está se despedindo...
Em mim, isso soa como aquelas histórias tristes que assistíamos nos seriados japoneses do Japão feudal. Ou mesmo quando explodíamos nossos carros com bonecos dentro, onde alguém sempre morria e transformava estupidez e egoísmo em um legado de lágrimas para os que ficavam. E todos os dias alguém chorava. Mas duvido que você se lembre disso. As vezes eu tenho a certeza de que nós somos idênticos. Você é como um irmão e sempre será, mas sabe que eu não posso te perdoar pela desistência, não é mesmo? Nada disso parece importar a você, porque você sempre amou a dor, a culpa e as punições. Sempre foi devoto do Santo dos estúpidos, dos que gozam dos prazeres doentios inicialmente explorados por aqueles que se arrastavam em busca se redenção, carregando suas cruzes e esperando a dona morte chegar, como um anjo doce que acaricia os sonhos dos sofredores, que clamam por um sono perfeito e eterno, que acham que do outro lado podem se tornar uma pessoa nova em folha. Os mesmos que acreditam que vão voltar melhores, que vão ser amparados pelo divino amor de Jesus, pobres em si, desesperados, enfileirados esperando aquele novo dia de reiniciar suas preces e vender amor em doses homeopáticas para os que necessitam de um amor, ou mesmo um beijo de boa noite, um beijo de despedida, um apagar de luzes e o ruído solitário de uma porta se fechando lentamente.
Você, meu grande amigo, foi tão honesto e verdadeiro, que me mostrou o lado mais obscuro de mim mesmo, que num apagar de luzes da consciência me fez repensar toda a minha vida, tudo o que eu fiz, daquelas garotas que se foram, daqueles filhos que eu jamais vou ter, enquanto almas solitárias caminham lado a lado e totalmente separadas umas das outras, que mal se encaram com medo de serem consumidas pela vergonha desgraçada que depura todos os valores, todas as frases onde existia um amanhã, todos os verbos conjugados no futuro, e você sabe muito bem que eu nada sei sobre os verbos, muito menos sobre o futuro. Acho que quando sobramos só eu e você, já tinhamos a certeza silenciosa de que a nossa despedida seria triste e repleta de mágoas, porque chegamos a tal ponto de ambição, que deixamos que nossos pobres olhos, sim, iguais a tantos outros, perdessem foco e fossem deixando de ver as coisas mais lindas lentamente, porque lentamente dói mais.
Hoje, eu prefiro pensar que a sua despedida prematura se deu como uma vontade do universo monstro que leva as pessoas e por tabela, pedacinhos de outras pessoas. Hoje, eu sei que ninguém morre sozinho. E eu lamento ter demorado todos esses anos pra aprender isso. Eu queria poder te abraçar e dizer para você ter fé, mas não sei mais se o estaria fazendo por você ou por mim, afinal, como eu disse antes, sou um egoísta, igualzinho a você.
Antes do êxodo em massa, aquele que traçou violentamente nossos destinos para sempre, lembro de te ouvir dizer que o mar revolto num fim de tarde, abençoado de forma tão linda pela estrela maior, brilhante e cheia de vida, tinha sido a coisa mais divina já vista, a maior prova do Deus com quem sempre sonhamos. E você, agarrado a uma corda na proa do barco, em paz, sentia a queda vertiginosa das águas como uma criança, a mesma que eu me lembro de ter conhecido quando ninguém acreditava em mim, quando tudo poderia ser real ou imaginário, e aquela estrela se pondo no horizonte sempre irá me lembrar que eu preciso ficar por aqui. Certas coisas só existem quando a gente acredita que elas existem. E até onde eu sei, isso nunca irá mudar. Mar revolto, barco, proa, ondas, sol.

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Segunda-feira, Outubro 23, 2006
A arte



Oito anos atrás eu comecei a pensar na possibilidade real de estudar arte, se é que Cinema pode ser considerado uma arte em essência. Depois de alguns poucos anos de estudo, percebi que cinema só é arte aos olhos de quem vê, ainda que esta seja a maior frase clichê em torno da arte. E os meus olhos não entendiam que a arte é uma expressão extrema da sentimentalidade humana em seus pólos. Scorcese é arte, é pop, é legal, sempre foi e sempre será. Wes "o melhor" Anderson é arte, talvez o que eu mais admire na minha pobre ignorância cinematográfica, mas eu quero penetrar nos profundos desprazeres de assistir aos filmes mais antigos dos artistas mais antigos pra entender o que eu mesmo estou sentindo.
O abandono do sonho se deu lenta e gradativamente e hoje eu estou estudando uma coisa que não tem muito a ver, mas me satisfaz. Porém a necessidade quase biológica de colocar pra fora toda a decepção com uma certa gama de cores do mundo, dos tons que preenchem aquilo que eu sinto me coloca numa difícil encruzilhada, onde o belo pode ser tão sujo que só mesmo a experiência com a matéria viva, a pesquisa em torno do vazio pode legitimar as obras de um artista.
O que é um livro? O que é um livro? Será que são a mesma pergunta? Eu não sei mais... Um livro pode ser apenas um monte de letrinhas e palavras digitadas metodicamente em busca de um produto idealizado. Mas será que o grande desafio e de um escritor não é o de escrever sem rumo, sem esperar nada de seus personagens se não a capacidade destes criarem vida e se rebelarem contra qualquer desejo do autor, da anarquia literária total por algo totalmente inesperado e belo?
Um pintor que começa a pintar um quadro já querendo pintar como Picasso é realmente um pintor? Ou será ele apenas um meio de perpetuar o que outra pessoa criou? Porque afinal, ele poderia pintar uns 300 quadros diferentes, ou até mesmo um quadro que nunca acabassse, tendo várias camadas de cor sobrepostas umas sobre as outras sem que as que ficaram desaparecidas perdessem seu valor naquela obra... Um elemento que não aparece não pode ser necessariamente um elemento vazio. Quando um ator pesquisa para interpretar um papel num filme ele obtém centenas de detalhes mínimos sobre aquela personagem que acabam não entrando no produtor visto na tela, então esse personagem se torna limitado pela película, pelo espaço da tela de uma sala de cinema e só. Será que podemos imaginar o pós-vida de um personagem após um filme? Porque eu adoraria conhecer os Tenenbaums mesmo que eles estejam limitados pela arte concreta.
Alguns anos atrás eu comecei a pensar em escrever um livro, uma estória, sobre pessoas que nunca tiveram nada a não ser uma vontade única de não desejar demais, enclausuradas em um hotel em um lugar imaginário na zona portuária do Rio de Janeiro. Eu nunca consegui passar da segunda página. E me questionei se o problema era realmente eu, minha falta de talento, ou se não existe problema algum, sendo apenas consequência de não ser eu parte daquilo que eu queria escrever. São poucos os que conseguem parir anualmente 2 livros, entrando e saindo de todas as suas estórias, ou mesmo apenas aglomerando palavras com algum sentido lógico pra que outras milhões de pessoas enxergassem ali algo de bom pra si. Os Paulos Coelhos e Sydneys Sheldons existem de verdade, mas eles vêm de uma época em que as pessoas eram demasiadamente generalizadas e eu estou sendo parido em um tempo sem tempo, a sensação que tenho é a de que quanto mais me tratam como um número, quanto mais me torno elemento de uma calculadora, mais perco a fé em mim. A fé nos homens é bem diferente da fé no homem. Estou começando a entender que para fazer, você precisa "ser".
Como consequência, a arte precisa ser tratada como o resultado de uma experiência poderosa do criador em torno de algo. A arte sendo vomitada por Jack Kerouac sem vírgulas ou pontos que ganha o coração das pessoas, a intensidade de quem escreve em busca da essência e não de planos ou projetos. A arte sem tempo e sem pertencer. Sabendo que as obras projetadas ainda vão atrair as mentes orfãs, assim como os amantes que buscam num mundo tão grande, na conspiração da natureza pelo encontro dos opostos e afinidades, os seus projetos de vida. Assim como os estudiosos focam seus objetivos com anos e anos de antecedência, e como as cidades são desenhadas pelos arquitetos em busca de um futuro cheio de previsões legítimas, de não existência da fé nos milagres da mutação que rompe com todas as idéias pré-concebidas, com todas as expectativas e com o embate entre a matemática quase perfeita e a capacidade ainda desconhecida dos seres vivos.
Acho que precisamos começar a considerar que não existem mais erros e acertos, afinal eles pressupõem projetos, conceitos. O futuro não pertence a Deus. Pertence ao tempo. E ao homem também. Porque sempre que falarmos "homens", estaremos falando do presente puro e simples, observável e resultante de algo, mas quando falarmos do homem, e apenas do homem, aí sim as unidades de tempo terão um oposto amedrontador.

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Quarta-feira, Outubro 18, 2006
2,5 segundos



Ontem eu caí de uma escada. Caí sobre uma outra escada. Ok, não entendeu? Vamos por partes:
estava sobre uma escadinha de metal instalando cabos telefônicos no telhado da minha casa e
posicionei a escadinha perto de uma escada de verdade. A escadinha virou. Eu caí sobre ela, que
por sua vez caiu sobre a escada de verdade. Bati com a nuca na quina da escada, meu pulso ficou
seriamente danificado, escoriações no meu braço todo, uma escoriação que mais parece uma obra
de arte abstrata feita por algum psicótico do século XVI de 30cm indo da minha cintura até a parte
de baixo da minha bunda e um círculo perfeito em carne viva na parte de trás da minha coxa. Eu
enxerguei a morte. Ela vestia verde e azul. A morte se traveste de tempo, minutos, segundos. A
minha morte vestia dois segundos e meio, entre o desequilibrar e o espatifar no chão. Em dois
segundos e meio muitas coisas poderiam passar pela sua cabeça, sua família, seu computador,
seu pinto, os filhos que nunca teve e os rios de dinheiro que você jamais irá ganhar. Na minha
cabeça:

- então morrer é assim? Ah... legal...

Quando me levantei, passei cinco minutos sem conseguir me manter em pé, pensando no coágulo
fatal que estaria se formando na parte de trás do meu cérebro ou aquilo que mais se aproxima dele.
Ontem eu enganei a morte e não me dei conta disso. Num universo paralelo, onde eu sou um puto
sem sorte, a queda me fez quebrar o pescoço, o fêmur, os dois braços, deslocou meu maxilar para
cima causando um afundamento cerebral na parte inferior do mesmo e os pés de metal da escadinha
canalha perfuraram minha bunda numa linha diagonal, saindo pela frontal da minha coxa direita. Eu
ainda estou tecnicamente vivo, mas mais morto do que vivo. Que bom que eu não vivo no universo
paralelo.
As experiências pré-pseudo-morte podem ser terríveis, mas elas te ensinam alguma coisa. Eu
enganei a morte. Talvez ela venha me buscar qualquer dia desses. Eu darei o meu melhor pela
vida, mas agora que eu estive com um pé no lado de lá, talvez queiram ver o outro.
Eu sou hostil e desagradável. Por isso estou aqui.

2,5 segundos. Um orgasmo, uma dor no peito, um peido, dois passos, um beijo estalado, olhares
trocados, um adeus nunca dado, uma lágrima tocando os lábios, entrando na boca, virando saliva,
cuspida no chão, evaporando ao sol, tornando-se chuva, encontrando gotas, viajando nas nuvens,
caindo sozinha, rezando por vida, tocando o oceano, morrendo para sempre...

No dia do meu velório, faltem.

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